A velhinha e a pedra.


Uma velhinha que quis parar no seu ponto de descanço preferido, mesmo depois de morta...

lenda da velhinha morta que descançou numa pedra antes de ir para o seu enterro

" Na cidade de Moira, aos sábados há uma grande feira, que se realiza perto do antigo mercado de carnes.
Desde tempos remotos vários sitiantes trazem seus produtos para vender nas calçadas ao redor do mercado..
Entre estes sitiante estava uma senhora que se chamava Rosa e que ia a feira todos os sábados para vender frangos e ovos.
Ela levantava bem cedinho, colocava os ovos num cesto e arrumava alguns frangos e qualquer outra coisa que tivesse em sua roça e que pudesse vender, ajeitava tudo em sacolas de palha e se dirigia para a cidade. Era um trajeto de cerca de 12 quilometros de sua casa ao mercado que ela percorria com o cesto de ovos na cabeça e as sacolas na mão. Na maioria das vezes voltava para casa com o mesmo cesto cheio de coisas que comprava ou trocava na feira.
Mais ou menos no meio do caminho entre o sítio e a cidade havia umas barraquinhas de madeira, num recuado da estrada, aonde as pessoas que iam e vinham na feira costumavam parar um pouco para descansar, tomar uma agua, um café, ou uma talagada de cachaça para ajudar a encarar o resto do percurso.
Rosa gostava de parar na barraca que vendia café, proximo a uma pedra grande. Ela descia a cesta e as sacolas, tomava seu café e sentava na pedra para fumar um cachimbo pequeno que sempre carregava preso ao cós da saia, enquanto descançava dava um dedinho de prosa com os passantes que estavam por ali.  Ela fazia esta parada na mesma barraca e sentava sempre na mesma pedra tanto na ida como na volta para casa durante todos os anos que frequentou a feira.
Com o avançar da idade Rosa parou de vender ovos nas calçadas do mercado; mas manteve o costume de ir a feira todo sábado bem cedinho, com sol ou com chuva, comprar suprimentos para sua casa. Ela manteve também o costume de parar na pedra para descançar e prosear enquanto fumava seu cachimbinho antes de prosseguir no caminho.
Mas Rosa acabou ficando doente e depois de um tempo morreu.
Naquela época era costume se levar um caixão para o cemitério a pé e acompanhado pelo cortejo de amigos e familiares. Se passava uma vara comprida pelas alças de cada lado do caixão e fazia uma especie de andor que quatro ou seis homens iam carregando nos ombros.
O cortejo funebre de Dona Rosa andou bem até chegar perto das barraquinhas da estrada...
De repente o caixão começou a ficar muito pesado e os carregadores começaram a suar muito para continuar o percurso. Ia tão pesado que os homens iam tropeçando pelo caminho, e ninguem sabia explicar porque o caixão da velhinha, tão miuda, de repente parecia estar cheio de chumbo...
Com muito custo chegaram proximo ao recuado das barracas, resolveram parar para descançar e depositaram o caixão com Dona Rosa em cima da pedra.
As mulheres foram se aliviar no mato, tomaram agua e ficaram a sombra se refrescando enquanto os homens tomavam folego e uma garrafa de pinga para ajudar a seguir caminho. Quando voltaram para pegar o caixão, o peso tinha desaparecido e ele estava tão leve, como se não tivesse mais nada dentro. E assim conseguiram seguir o cortejo até o cemitério.
Dona Rosa que tantas vezes  fez aquele percurso em vida, tinha parado pela ultima vez no seu canto preferido em cima da pedra, antes de seguir sua derradeira viagem para Moira.
Há quem diga que de vez em quando se avista uma velhinha sentada na pedra fumando seu cachimbo...mas isso é mais uma lenda da cidade.

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