Piadas do Eliseu.


" Eliseu é o frentista do unico posto de gasolina de Moira.
piadas de sogra
Ele adora distrair os motoristas contando piadas enquanto abastece os carros. Sabe um monte de anedotas e sabe conta-las como ninguem: piada de português, de crianças, time de futebol, de loiras burras, piadas de papagaio e estorias de corno...nada escapa do senso de humor do sujeito. Mas o que o frentista gosta mesmo é das piadas de sogra..essas ele conta com gosto.
- Sogra é invenção de algum departamento do inferno meus amigos! Porque ao contrario de Deus, o Diabo não pode estar em todo lugar ao mesmo tempo...kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!
Quando alguem perguntava para o Eliseu se ele se dava bem com a mãe da sua esposa, ele sempre respondia com um sorrisão.
- Rapaz...minha sogra é demais...a veia tem o coração de ouro: é amarelo, é duro e gelado...
- Sogra só devia ter dois dentes, um pra doer o dia inteiro e outro para abrir garrafa de cerveja...
- Sogra boa é que nem cerveja: gelada e em cima da mesa....
E assim ele divertia todo mundo e juntava gente para ouvir a suas estoria. Um dia veio com essa:
-Outro dia roubaram meu fusca, ai tive que ir na delegacia pra registrar um B.O, quando tava lá fazendo a papelada chegou um cidadão todo esbaforido, queria falar com o delegado a qualquer custo.
O delegado veio e perguntou.
-O que aconteceu senhor?
E o homem disse aos gritos
- Eu quero confessar um crime doutor...
- E qual seria????
- Doutor eu matei minha sogra...
-Bem meu filho, você cometeu esse crime mas deveria estar alterado, fora do seu juizo normal, pode alegar insanidade mental...
- Eu dei com um porrete na cabeça dela!!!
-  É legitima defesa com certeza; você estava se defendendo de uma agressão talvez., fique tranquilo, vá para casa e descanse, que esta tudo bem...
- Mas seu delegado eu enterrei a velha no quintal de casa!!!!!
- Que boa alma é você!!! Enterrou a sua sogra e assim já evitou todo aquele sofrimento da famila sem falar na burocracia...
- Doutor!!!! Mas enquanto eu estava enterrando a velha ela gritava que ainda estava viva!!!!
- Ô meu filho deixa de ser bobo..você não sabe que toda sogra é mentirosa???
Nessa altura da estoria a plateia já estava se mijando de tanto rir, e o Eliseo arrematava.
- Sogra é bicho ruim! Feliz foi Adão que não teve nenhuma e o Noé que não deixou a dele entrar na Arca..."

A procissão das almas.

Uma procissão de almas penadas que invade as ruas da cidade durante a noite...
a lenda da procissão dos mortos
" Pombinha e Agripina eram as duas  fofoqueiras mais conhecidas da cidade de Moira.
Pombinha era nascida e criada na cidade. Professora primaria, solteirona por convicção e membro da ordem leiga de Maria, não perdia uma missa. Dedicara sua vida a cuidar da mãe, dos seus alunos e da vida alheia.
Agripina por sua vez sempre fora dona de casa, e quando seu marido se aposentou e resolveu viver no interior, ela achou que morreria de tédio numa cidadezinha pequena como Moira, mas essa impressão se desfez logo que conheceu sua vizinha Pombinha.
Foi amizade a primeira vista! E esta amizade durou mais de 20 anos.
Era comum ver as duas conversando pela manhã, na calçada, cada uma com seu saquinho de pão na mão e um litro de leite. A tarde elas estavam sempre juntas no portão da casa de Agripina aos fuxicos. Pela noite era a mesma coisa, uma na janela e a outra numa cadeirinha na calçada fazendo croche e tagarelando...sempre tinham assunto pra falar e quase sempre era sobre as novidades, as fofocas e o disse-me-disse da cidade.
Se alguem quisesse uma informação sobre quem tinha nascido naquela semana, quem tinha casado, quem tinha casa para vender, quem queria comprar um burro, ou quem tinha pulado a cerca com o vizinho... podia perguntar que elas sempre sabiam responder..ou no minino insinuar a resposta.
Tinha gente com tanta raiva das duas mexeriqueiras que nem passava na calçada que elas moravam, mas também tinha quem se aproveitava da curiosidade das duas velhinhas para espalhar estorias aos quatro cantos... Elas faziam a coluna social da cidade e acabaram se tornando um patrimonio de Moira por causa disso.
Mas um dia Pombinha se foi deste mundo. Teve uma crise de asma e morreu, se tornando assim a fofoca do dia e deixando sua inseparavel amiga Agripina inconsolavel por meses.
Viuva a alguns anos e agora sem sua amiga Pombinha, Agripina quase não tinha mais vontade de sair e conversar com os outros vizinhos, só não perdia o costume de ficar por horas a fio olhando a rua pela janela de sua sala e comprimentando os pedestres que passavam pela calçada
Numa noite muito quente a velha senhora estava na janela a olhar o vazio da rua quando começou a ouvir um burburinho de vozes e uma ladainha entoada ao longe.
De repente eis que uma procissão se apontava lá no começo da rua.
Ficou cismada, não soubera de procissão nenhuma, não tinham dito nada na missa e mesmo agora não ouvira os sinos da igreja tocar para anunciar a procissão como era o costume nessas ocasiões!!!
Mas apesar do seu espanto a procissão tomava forma e ia chegando proximo a sua casa, eram muitas pessoas vestindo roupas brancas e largas, como mortalhas, algumas levavam velas e outram carregavam tochas na mão. Muitos usavam capuz para cobrir a cabeça. Não viu nenhum conhecido e as poucas pessoas que conseguira ver os rostos tinham o olhar fixo num ponto a frente e a expressão perdida enquando entoavam as rezas. Agripina sentiu um calafrio e um medo crescente, quando ia fechar a janela, alguem saido do meio da multidão se aproximou e lhe entregou uma vela. Mal pegou a vela ela avistou uma silhueta quase no final da fila de penitentes que lhe chamou a atenção. Era sua amiga Pombinha, meio perdida e muito assustada, sem carregar vela nem tocha e sendo levada pela mão por um encapuçado.
Tremendo de medo Agripina sentiu o coração gelar quando a cadaverica Pombinha passou perto de sua janela, lhe lançou um olhar de sofrimento e levou o dedo aos lábios num tremulo sinal de silencio.
Agripina correu para dentro de sua casa e passou o resto da noite rezando e chorando até que dormiu. No dia seguinte pela manhã viu que a vela que recebera na noite anterior era o osso de um braço. A imagem da amiga Pombinha na fila de defuntos penitentes nunca mais lhe saiu da lembrança e a velha Agripina não abriu mais a sua  janela para ver a rua nem durante o dia e muito menos a noite pelo resto dos anos que ainda viveu. "

A velhinha e a pedra.


Uma velhinha que quis parar no seu ponto de descanço preferido, mesmo depois de morta...

lenda da velhinha morta que descançou numa pedra antes de ir para o seu enterro

" Na cidade de Moira, aos sábados há uma grande feira, que se realiza perto do antigo mercado de carnes.
Desde tempos remotos vários sitiantes trazem seus produtos para vender nas calçadas ao redor do mercado..
Entre estes sitiante estava uma senhora que se chamava Rosa e que ia a feira todos os sábados para vender frangos e ovos.
Ela levantava bem cedinho, colocava os ovos num cesto e arrumava alguns frangos e qualquer outra coisa que tivesse em sua roça e que pudesse vender, ajeitava tudo em sacolas de palha e se dirigia para a cidade. Era um trajeto de cerca de 12 quilometros de sua casa ao mercado que ela percorria com o cesto de ovos na cabeça e as sacolas na mão. Na maioria das vezes voltava para casa com o mesmo cesto cheio de coisas que comprava ou trocava na feira.
Mais ou menos no meio do caminho entre o sítio e a cidade havia umas barraquinhas de madeira, num recuado da estrada, aonde as pessoas que iam e vinham na feira costumavam parar um pouco para descansar, tomar uma agua, um café, ou uma talagada de cachaça para ajudar a encarar o resto do percurso.
Rosa gostava de parar na barraca que vendia café, proximo a uma pedra grande. Ela descia a cesta e as sacolas, tomava seu café e sentava na pedra para fumar um cachimbo pequeno que sempre carregava preso ao cós da saia, enquanto descançava dava um dedinho de prosa com os passantes que estavam por ali.  Ela fazia esta parada na mesma barraca e sentava sempre na mesma pedra tanto na ida como na volta para casa durante todos os anos que frequentou a feira.
Com o avançar da idade Rosa parou de vender ovos nas calçadas do mercado; mas manteve o costume de ir a feira todo sábado bem cedinho, com sol ou com chuva, comprar suprimentos para sua casa. Ela manteve também o costume de parar na pedra para descançar e prosear enquanto fumava seu cachimbinho antes de prosseguir no caminho.
Mas Rosa acabou ficando doente e depois de um tempo morreu.
Naquela época era costume se levar um caixão para o cemitério a pé e acompanhado pelo cortejo de amigos e familiares. Se passava uma vara comprida pelas alças de cada lado do caixão e fazia uma especie de andor que quatro ou seis homens iam carregando nos ombros.
O cortejo funebre de Dona Rosa andou bem até chegar perto das barraquinhas da estrada...
De repente o caixão começou a ficar muito pesado e os carregadores começaram a suar muito para continuar o percurso. Ia tão pesado que os homens iam tropeçando pelo caminho, e ninguem sabia explicar porque o caixão da velhinha, tão miuda, de repente parecia estar cheio de chumbo...
Com muito custo chegaram proximo ao recuado das barracas, resolveram parar para descançar e depositaram o caixão com Dona Rosa em cima da pedra.
As mulheres foram se aliviar no mato, tomaram agua e ficaram a sombra se refrescando enquanto os homens tomavam folego e uma garrafa de pinga para ajudar a seguir caminho. Quando voltaram para pegar o caixão, o peso tinha desaparecido e ele estava tão leve, como se não tivesse mais nada dentro. E assim conseguiram seguir o cortejo até o cemitério.
Dona Rosa que tantas vezes  fez aquele percurso em vida, tinha parado pela ultima vez no seu canto preferido em cima da pedra, antes de seguir sua derradeira viagem para Moira.
Há quem diga que de vez em quando se avista uma velhinha sentada na pedra fumando seu cachimbo...mas isso é mais uma lenda da cidade.

A estoria de João Barrão

Um dono de bar que cobrou uma conta mesmo depois de sua morte...

conto do fantasma do bar de joão barrão

" João Barrão era um antigo comerciante da cidade de Moira.
Mais conhecido como Portuga ele era dono do Bar e Mercearia Imperial na rua das Quincas, próximo a prefeitura.
Aqui vamos abrir um parêntese para dizer que o Bar Imperial tinha este nome devido a verdadeira adoração que o João tinha pelas histórias do imperador D. Pedro II. Português dos bons, como João costumava dizer...sem levar em consideração que o antigo imperador nasceu no Brasil.
O bar era no primeiro andar de um grande sobrado de esquina e já tivera os seus dias de gloria quando fora bar e mercearia e por lá passavam quase todos os moradores da cidade; era um dos pontos de encontro da antiga sociedade moriaense.
As senhoras o frequentavam durante o dia para comprar qualquer coisinha que faltasse em casa, marcar em caderneta...saber das fofocas. Já os homens tomavam conta do lugar ao cair da tarde, para uma bebida, um bilhar ...uma conversa...um tira gosto... Era um entra e sai danado naquele lugar!
Mas com a idade avançando no lombo do Portuga, e os mercados e supermercados que apareciam aqui e ali João resolveu acabar com a mercearia e ficar só com o botequim que fora trabalho de toda a sua vida. Dos anos antigos só manteve o costume de fazer sua famosa sardinha na brasa ás quartas feiras.
Foi numa dessas quartas de sardinhada que João Barrão fez a primeira, única e mais profunda inimizade de sua vida: Teco Pascoal.
Teco era funcionário da oficina mecânica do Elias, os rapazes de lá iam sempre ao bar do Portuga nas quartas e nunca ninguém duvidou das contas do português que mesmo assando as peixinhas na brasa não tirava o olho das mesas e sabia o consumo de cada um dos seus fregueses. Mas Teco era metido a esperto e justamente naquele dia na hora de pagar sua parte alegou que a conta estava errada.
Foi uma confusão danada e quanto mais o portugues mostrava a conta, gritava, bufava e invocava seus anos de honestidade com sua freguesia, mais o rapaz batia o pé que não tinha consumido o que o portugues queria cobrar. E pior, já que se a parte dele na conta estava errada, a dos amigos também devia estar!!  O português estava roubando.
O que era certeza de repente começou a virar duvida. E se Teco estivesse certo? Alguns rapazes pediram para Neguinho, o garçon do bar, refazer a conta, mas esse mais atrapalhado que tudo nesse mundo, fez foi embananar mais as coisas dizendo que quem marcava era "Se Jão". Ai o caldo entornou...
Teco Pascoal  tanto fez e reclamou que João, a beira de um infarto e espumando mais que cachorro doido, acabou por expulsa-lo de seu estabelecimento.
- E nunca mais ponha os pés aqui infeliz, um dia tu me pagas...
Para os rapazes da oficina, que sairam no lucro sem pagar um centavo da consumação, a estoria foi motivo de riso durante dias, cada vez que Teco imitava o portugues gritando com a conta na mão era gargalhada certa. Mas para João a historia foi motivo de odio, nunca mais permitiu que nenhum funcionario da oficina entrasse em seu bar e cada vez que via Teco na rua ou em qualquer outro lugar, cobria o rapaz de desaforos.
Alguns amigos do velho butequeiro tentaram fazer com que ele deixasse a coisa pra lá. Ficar xingando e ofendendo o rapaz até na porta da igreja não era bom. Isso já estava pegando mal para  ele próprio que estava ganhando fama de velho doido e inconveniente. Melhor esquecer. Mas nada.
- Não é pelo dinheiro - ele costumava dizer - é pelo desaforo daquele puto!
Mesmo quando a mãe de Teco, cansada dos ataques do velho, foi até o bar e se ofereceu para pagar a conta e colocar uma pedra no assunto o velho não aceitou e botou a mulher para correr.
-Se esconde atras das anáguas da mãe o safardana!!!! Ele não é homem? Que honre as calças e venha me pagar.
O bar começou a ficar mais vazio, João parou de fazer sardinhas nas quarta-feira e foi perdendo o gosto pelo boteco, que agora passava dias fechado. João Barrão entristeceu, deprimiu, ficou doente e depois de anos de reclusão acabou morrendo.
No dia do enterro do pobre portugues, Teco Pascoal bebeu ao velho no Bar da Chica.
- Eu disse que não pagava e não paguei. Ele me pertubou por muito tempo agora que vá se queixar com Deus...ou com o Diabo que o carregue!!!!
Tres dias depois Teco Pascoal morreu!
Infarto fulminate aos 29 anos...
Conta-se que a esposa o encontrou morto, de joelhos e com uma fisionomia de pavor, olhos abertos e boca apertada, todo mijado e com uma nota de 5 contos fechada na mão, a carteira estava aberta e havia varias notas e moedas espalhadas pelo chão...Teco morreu de medo!!!
A história chocou a cidade, e a lenda de que o proprio João Barrão levantou do tumulo para cobrar esta ultima divida ganhou as ruas e deixou muita gente apavorada...
Algum tempo depois um outro comerciante da cidade, cansado de colocar conta no prego, colou um cartaz na parede de seu estabelecimento:
" Discipulo de João Barrão. Fiado nem depois de morto."

A noiva fantasma da mata.

Uma noiva apaixonada impedida de ir a igreja no dia do seu casamento...pela morte!!!

lenda urbana da noiva cadaver da mata

"Na estrada velha que liga a cidade de Moira a cidade de Destinos, há uma pequena cruz branca, ao lado de uma pedra; é um pequeno memorial a Noiva da Mata, uma das lendas mais conhecidas da cidade de Moira.
Como toda lenda urbana, a estoria da Noiva da Mata começou com um fato real que foi tomando porporções fantásticas no imaginário dos habitantes das duas cidades...
Há muitos anos atras havia um comerciante muito rico e prospero em Moira; ele fizera fortuna no ramo imobiliario com a chegada das estradas pavimentadas que ligavam varias cidades do interior, o que lhe possibilitou adquirir muita terra, lotea-las e criar alguns condominios privados naquela região, o que o tornou muito rico e influente na cidade. Este homem tinha uma filha romantica e sonhadora que se apaixonou por um dos empregados da construtora de seu pai.
O empresario ao saber do romance entre a filha e o ajudante de obras, despediu imediatamente o rapaz e ameaçou a filha com uma viagem para um severo internato na Suiça, caso ela não desistisse daquela bobagem de namoro com um joão ninguem.
A jovem acatou as vontades do pai, mas continuou a se encontrar com seu amado em segredo e decidiram se casar as escondidas.
Prepararam tudo para a cerimonia que seria realizada na cidade vizinha de Destinos, os pais da jovem nem desconfiavam do que ela tramava. Com a ajuda de uma amiga ela comprou um vestido de noiva e escondeu na casa da amiga e no dia marcado para o casamento disse aos pais que iria almoçar com uma colega recem chegada de São Paulo. Antes de sair colheu algumas rosas vermelhas do jardim da mãe e com elas fez seu bouquet.
Foi para a casa da amiga, se arrumou, e de lá partiu num carro fretado (taxi) para a cidade vizinha.
O noivo já estava na igreja esperando sua amada. Ele tinha convidado alguns amigos mais chegados e seus familiares; achava muito desolador se casar com a igreja vazia e assim a cerimonia não seria triste sem a presença de ninguem.
Havia chovido muita naquela região e na epoca desta estoria as estradas de Moira e Destinos ainda eram de terra e qualquer chuva fazia o percurso mais dificil e demorado.
Impaciente a moça via a hora passar e o carro avançar pouco na estrada enlameada, numa certa altura da viagem o carro atolou e o motorista desceu para empurrar e a jovem desceu também para ver o que havia acontecido, nesse momento não se sabe como e nem de onde saiu um carro em alta velocidade que passou e pegou a jovem em cheio, jogando seu corpo para o outro lado da estrada, aonde ela bateu com a cabeça na pedra que hoje serve de lápide para sua cruz.
O noivo ficou ali na igreja esperando e o casamento nunca aconteceu...
O pai da jovem pranteou e muito a morte da sua unica filha e durante todos os anos que viveu nunca se perdou por sua decisão intransigente. Ele lhe deu um funeral grandioso, mas é nas matas de Moira que nas noites mais iluminadas se ve uma jovem, vestida de noiva, com o vestido sujo de lama e o veu machado de sangue, vagando de um lado a outro da estrada, tentando chegar ao seu casamento levando nas mãos um pequeno bouquet de rosas vermelhas.

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A carona

Uma moça pedindo carona numa noite de tempestade pode ser uma experiencia sobrenatural...

assombraçao-estrada-noturna

" Cristiano já estava na vida da estrada há mais de 20 anos.
Não se tornara caminhoneiro por gosto, mas por falta de opção quando perdeu o emprego na Fabrica de Bolachas de Moira.  Com pouco dinheiro, sem qualificação profissional e com 4 bocas para sustentar em casa, acabou cedendo aos apelos da esposa e foi trabalhar como motorista para o cunhado.
O começo foi dificil, mas acabou se apaixonando por aquela vida errante;  trabalhou muito, juntou dinheiro e hoje era dono do proprio bruto e trabalhava para quem queria.
Em todos esses anos na estrada ele já tinha passado por poucas e boas. Tinha visto acidentes, deslizamentos na estrada, enchentes, já fora vítima de assalto e quase morreu num acidente entre seu caminhão e uma carreta.
Ouvia muita estória de assombração no trecho, a maioria ele achava graça e não dava bola. Os caminhoneiros, como bons pescadores adoram aumentar o tamanho da assombração... mas algumas não tinham explicação para ele e eram tão extraordinarias que achava melhor não duvidar!
Ele proprio já fora protagonista de uma estoria  que não gostava muito de contar;  por não saber distinguir ao certo o que era real e o que era fruto de seu cansaço.
Uma vez voltando para casa depois de uma viagem longa e perigosa em que cruzara o pais quase todo, Cristiano pegou uma chuva forte já perto de chegar a cidade de Moira, não queria encostar porque tinha muita vontade de rever a mulher e os filhos em casa. Diminuiu a velocidade por conta da pista molhada e ia com cuidado quando avistou uma pessoa andando na estrada, embaixo de chuva usando uma capa amarela. Ao avistar as luzes do caminhão a pessoa se virou e fez sinal pedindo carona.
Cristiano viu que era uma moça, toda molhada apesar da capa de chuva, ficou sensibilizado e resolveu parar.
- Moça para aonde a senhora esta indo?
- Minha casa fica na beira da estrada há uns 3 quilometros daqui...vim visitar uns amigos mas preciso voltar pra casa. - respondeu a jovem.
- Mas debaixo dessa chuva toda????
- Não tinha quem me levasse e minha mãe deve estar preocupada comigo porque passei muito da hora de voltar. O senhor me dá uma carona?
- Pode subir.
Quando ela subiu e tirou a capa, Cristiano viu se tratar de uma moça jovem e bonita. Vestida com modestia, sem exageros, ele pode ter certeza que não se tratava de uma dessas moças que se deitam com motoristas por carona ou alguns trocados, mas uma pessoa simples e muito animada, que falava da mãe com muito carinho e demostrava muita preocupação por ela estar sozinha em casa. Ela disse que se chamava Marcia e conversaram bastante durante o percurso e o motorista sentiu até grande simpatia pela jovem que era espontanea e bem inteligente.  A conversa estava tão boa que Cristiano nem viu o tempo passar na sua companhia .
Logo avistaram uma casa pequena na beira da estrada, e Marcia disse que era ali.  Uma luzinha muito tenue vinha de dentro da casa e a moça disse ser uma vela que a mãe ascendia toda noite para Nossa Senhora de Fátima.
- Moço, muito obrigado por me trazer até aqui. Deus lhe abençoe e guarde sua volta para sua familia.
Cristiano agradeceu e viu a moça sumir para dentro do terreiro da casa.
Logo que saiu com o caminhão ele viu a capa amarela no banco e resolveu voltar para devolver, não custava nada e ainda estava proximo a casa.
Parou o caminhão, abriu o mesmo portão pequeno que vira a moça abrir e atravessou a frente da casa indo bater na porta aonde ficava a imagem de Nossa Senhora de Fátima pintada em azulejos azuis  iluminados fracamente pela vela acessa num  pequeno velario de pedra encrustrado num nicho da parede.
Uma senhora  de cerca de 60 anos apareceu na janelinha da porta com a cara de assustada.
-Minha senhora - começou Cristiano - me desculpe pelo incomodo da hora, mas acabei de dar carona para a sua filha Marcia e ela deixou a capa de chuva no banco do meu caminhão. Poderia entregar a ela por gentileza?
A mulher abriu a porta chorando muito e tomou a capa em suas mãos...
-Por favor meu senhor...não brinque com essas coisas...a minha Marcia morreu há 5 anos atras, atropelada numa noite de chuva como esta, tentando voltar pra casa..não brinque comigo por favor...não brinque! "

As rosas vermelhas

Ela só queria um sinal de quando iria morrer...
rosa vermelha segurada por mãos salvas

" Uma das mulheres mais respeitada da cidade de Moira é  D. Helena, a dona da Farmacia Alencar.
Ela é uma mulher forte, que criou os filhos sozinha e tocou a farmacia da familia sem ajuda de ninguem, nada derrubava aquela mulher até que Ana sua filha caçula ficou doente.
Depois de fazer muitos exames e consultar muitos médicos, foi diagnosticada uma doença grave em Ana, e após varias internações e tentativas de tratamento a moça foi desenganada pelos medicos que aconselharam a familia a leva-la para casa, para que passase seus ultimos momentos no conforto de sua casa, na companhia de seus amigos e familiares, e não no ambiente frio e impessoal de um hospital.
Logo a noticia de sua volta e de seu estado terminal se espalharam pela pequena Moira  muita gente entre amigos e curiosos quiseram visita-la. Todos sabiam do estado delicado da saude da menina, mas a pedido de sua mãe as pessoa nunca comentavam sobre seu estado. Eles queriam poupa-la.
Ana recebia a todos com alegria e satisfação, ela ficava feliz em ver tantos amigos ao seu redor depois de uma estadia tão longa em hospitais, ninguém a havia esquecido e a casa estava sempre cheia de visitas.
Sentia falta apenas da presença de Bianca sua querida amiga de infancia que não via há muitos anos desde que ela e o pai foram embora de Moria depois que a mãe da menina morreu afogada.  As duas jovens ainda se correnponderam por muito tempo, mas com o tempo e a doença de Ana a troca de cartas havia ficado para tras.
Sempre que Ana indagava aos que a visitavam o que sabiam a respeito de sua saude, os amigos desconversavam e aquela situação começou a perturba-la muito.
Alguns dias após sua chegada o Padre foi visita-la e enquanto rezavam, Ana pediu com fé a Deus que lhe desse um sinal sobre sua situação. Não queria presionar mais sua mãe, sabia o quando ela estava sofrendo.
Então Ana pediu a Deus que a proxima visita que ela recebesse lhe trouxesse flores; um bouquet de rosas brancas se ela estivesse realmente curada, amarelas se ainda estava doente e iria voltar ao hospital e vermelhas caso estivese para morrer.
No final do dia as visitas na casa haviam cessado um pouco e Ana aproveitou para dormir, acordou bem disposta com um sonho bom que teve com Bianca e estava decidida a ligar para a amiga naquele mesmo dia.
Chamou sua mãe para contar seu sonho e Helena entrou no quarto com um bouquet enorme de rosas vermelhas num vaso.
Ana ficou sobresaltada quando viu o vaso e perguntou para sua mãe porque ela tinha trazido aquelas rosas.
Helena então lhe contou que fora uma senhora muito simpatica e sorridente que tinha trazido aquelas rosas durante a tarde, enquanto Ana dormia, mas que não quis que ela fosse acordada então deixou as rosas, um grande beijo e um recado dizendo que elas se veriam em breve.
- E quem era essa mulher? - perguntou Ana.
- Ela não disse o nome meu amor, só disse que era a mãe da Bianca.
Ana se encolheu e ficou quieta. A mãe da Bianca estava morta há mais de 10 anos...
E naquela mesma noite Ana morreu "

Moira


Moira cidade ficticia e repleta de fatos sobrenaturais

Moira é uma cidade, nascida na terra fertil e vermelha da minha mente.
Moira é povoada por todo tipo de personagens, personalidades, vaidades e paixões.
Há tantos sentimentos e estorias incriveis que ecoam nas ruas de pedra que há dias em que a cidade não consegue dormir...
Ela  é um microcosmo; um laboratorio de acontecimentos fantasticos e inexplicaveis...ou comuns, talvez, a quem acredita naquilo que esta alem do olhar e da vida.
Em Moira tudo é possivel e muita coisa, quase tudo, é inexplicavel...