Piadas do Eliseu.


" Eliseu é o frentista do unico posto de gasolina de Moira.
piadas de sogra
Ele adora distrair os motoristas contando piadas enquanto abastece os carros. Sabe um monte de anedotas e sabe conta-las como ninguem: piada de português, de crianças, time de futebol, de loiras burras, piadas de papagaio e estorias de corno...nada escapa do senso de humor do sujeito. Mas o que o frentista gosta mesmo é das piadas de sogra..essas ele conta com gosto.
- Sogra é invenção de algum departamento do inferno meus amigos! Porque ao contrario de Deus, o Diabo não pode estar em todo lugar ao mesmo tempo...kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!
Quando alguem perguntava para o Eliseu se ele se dava bem com a mãe da sua esposa, ele sempre respondia com um sorrisão.
- Rapaz...minha sogra é demais...a veia tem o coração de ouro: é amarelo, é duro e gelado...
- Sogra só devia ter dois dentes, um pra doer o dia inteiro e outro para abrir garrafa de cerveja...
- Sogra boa é que nem cerveja: gelada e em cima da mesa....
E assim ele divertia todo mundo e juntava gente para ouvir a suas estoria. Um dia veio com essa:
-Outro dia roubaram meu fusca, ai tive que ir na delegacia pra registrar um B.O, quando tava lá fazendo a papelada chegou um cidadão todo esbaforido, queria falar com o delegado a qualquer custo.
O delegado veio e perguntou.
-O que aconteceu senhor?
E o homem disse aos gritos
- Eu quero confessar um crime doutor...
- E qual seria????
- Doutor eu matei minha sogra...
-Bem meu filho, você cometeu esse crime mas deveria estar alterado, fora do seu juizo normal, pode alegar insanidade mental...
- Eu dei com um porrete na cabeça dela!!!
-  É legitima defesa com certeza; você estava se defendendo de uma agressão talvez., fique tranquilo, vá para casa e descanse, que esta tudo bem...
- Mas seu delegado eu enterrei a velha no quintal de casa!!!!!
- Que boa alma é você!!! Enterrou a sua sogra e assim já evitou todo aquele sofrimento da famila sem falar na burocracia...
- Doutor!!!! Mas enquanto eu estava enterrando a velha ela gritava que ainda estava viva!!!!
- Ô meu filho deixa de ser bobo..você não sabe que toda sogra é mentirosa???
Nessa altura da estoria a plateia já estava se mijando de tanto rir, e o Eliseo arrematava.
- Sogra é bicho ruim! Feliz foi Adão que não teve nenhuma e o Noé que não deixou a dele entrar na Arca..."

A procissão das almas.

Uma procissão de almas penadas que invade as ruas da cidade durante a noite...
a lenda da procissão dos mortos
" Pombinha e Agripina eram as duas  fofoqueiras mais conhecidas da cidade de Moira.
Pombinha era nascida e criada na cidade. Professora primaria, solteirona por convicção e membro da ordem leiga de Maria, não perdia uma missa. Dedicara sua vida a cuidar da mãe, dos seus alunos e da vida alheia.
Agripina por sua vez sempre fora dona de casa, e quando seu marido se aposentou e resolveu viver no interior, ela achou que morreria de tédio numa cidadezinha pequena como Moira, mas essa impressão se desfez logo que conheceu sua vizinha Pombinha.
Foi amizade a primeira vista! E esta amizade durou mais de 20 anos.
Era comum ver as duas conversando pela manhã, na calçada, cada uma com seu saquinho de pão na mão e um litro de leite. A tarde elas estavam sempre juntas no portão da casa de Agripina aos fuxicos. Pela noite era a mesma coisa, uma na janela e a outra numa cadeirinha na calçada fazendo croche e tagarelando...sempre tinham assunto pra falar e quase sempre era sobre as novidades, as fofocas e o disse-me-disse da cidade.
Se alguem quisesse uma informação sobre quem tinha nascido naquela semana, quem tinha casado, quem tinha casa para vender, quem queria comprar um burro, ou quem tinha pulado a cerca com o vizinho... podia perguntar que elas sempre sabiam responder..ou no minino insinuar a resposta.
Tinha gente com tanta raiva das duas mexeriqueiras que nem passava na calçada que elas moravam, mas também tinha quem se aproveitava da curiosidade das duas velhinhas para espalhar estorias aos quatro cantos... Elas faziam a coluna social da cidade e acabaram se tornando um patrimonio de Moira por causa disso.
Mas um dia Pombinha se foi deste mundo. Teve uma crise de asma e morreu, se tornando assim a fofoca do dia e deixando sua inseparavel amiga Agripina inconsolavel por meses.
Viuva a alguns anos e agora sem sua amiga Pombinha, Agripina quase não tinha mais vontade de sair e conversar com os outros vizinhos, só não perdia o costume de ficar por horas a fio olhando a rua pela janela de sua sala e comprimentando os pedestres que passavam pela calçada
Numa noite muito quente a velha senhora estava na janela a olhar o vazio da rua quando começou a ouvir um burburinho de vozes e uma ladainha entoada ao longe.
De repente eis que uma procissão se apontava lá no começo da rua.
Ficou cismada, não soubera de procissão nenhuma, não tinham dito nada na missa e mesmo agora não ouvira os sinos da igreja tocar para anunciar a procissão como era o costume nessas ocasiões!!!
Mas apesar do seu espanto a procissão tomava forma e ia chegando proximo a sua casa, eram muitas pessoas vestindo roupas brancas e largas, como mortalhas, algumas levavam velas e outram carregavam tochas na mão. Muitos usavam capuz para cobrir a cabeça. Não viu nenhum conhecido e as poucas pessoas que conseguira ver os rostos tinham o olhar fixo num ponto a frente e a expressão perdida enquando entoavam as rezas. Agripina sentiu um calafrio e um medo crescente, quando ia fechar a janela, alguem saido do meio da multidão se aproximou e lhe entregou uma vela. Mal pegou a vela ela avistou uma silhueta quase no final da fila de penitentes que lhe chamou a atenção. Era sua amiga Pombinha, meio perdida e muito assustada, sem carregar vela nem tocha e sendo levada pela mão por um encapuçado.
Tremendo de medo Agripina sentiu o coração gelar quando a cadaverica Pombinha passou perto de sua janela, lhe lançou um olhar de sofrimento e levou o dedo aos lábios num tremulo sinal de silencio.
Agripina correu para dentro de sua casa e passou o resto da noite rezando e chorando até que dormiu. No dia seguinte pela manhã viu que a vela que recebera na noite anterior era o osso de um braço. A imagem da amiga Pombinha na fila de defuntos penitentes nunca mais lhe saiu da lembrança e a velha Agripina não abriu mais a sua  janela para ver a rua nem durante o dia e muito menos a noite pelo resto dos anos que ainda viveu. "

A velhinha e a pedra.


Uma velhinha que quis parar no seu ponto de descanço preferido, mesmo depois de morta...

lenda da velhinha morta que descançou numa pedra antes de ir para o seu enterro

" Na cidade de Moira, aos sábados há uma grande feira, que se realiza perto do antigo mercado de carnes.
Desde tempos remotos vários sitiantes trazem seus produtos para vender nas calçadas ao redor do mercado..
Entre estes sitiante estava uma senhora que se chamava Rosa e que ia a feira todos os sábados para vender frangos e ovos.
Ela levantava bem cedinho, colocava os ovos num cesto e arrumava alguns frangos e qualquer outra coisa que tivesse em sua roça e que pudesse vender, ajeitava tudo em sacolas de palha e se dirigia para a cidade. Era um trajeto de cerca de 12 quilometros de sua casa ao mercado que ela percorria com o cesto de ovos na cabeça e as sacolas na mão. Na maioria das vezes voltava para casa com o mesmo cesto cheio de coisas que comprava ou trocava na feira.
Mais ou menos no meio do caminho entre o sítio e a cidade havia umas barraquinhas de madeira, num recuado da estrada, aonde as pessoas que iam e vinham na feira costumavam parar um pouco para descansar, tomar uma agua, um café, ou uma talagada de cachaça para ajudar a encarar o resto do percurso.
Rosa gostava de parar na barraca que vendia café, proximo a uma pedra grande. Ela descia a cesta e as sacolas, tomava seu café e sentava na pedra para fumar um cachimbo pequeno que sempre carregava preso ao cós da saia, enquanto descançava dava um dedinho de prosa com os passantes que estavam por ali.  Ela fazia esta parada na mesma barraca e sentava sempre na mesma pedra tanto na ida como na volta para casa durante todos os anos que frequentou a feira.
Com o avançar da idade Rosa parou de vender ovos nas calçadas do mercado; mas manteve o costume de ir a feira todo sábado bem cedinho, com sol ou com chuva, comprar suprimentos para sua casa. Ela manteve também o costume de parar na pedra para descançar e prosear enquanto fumava seu cachimbinho antes de prosseguir no caminho.
Mas Rosa acabou ficando doente e depois de um tempo morreu.
Naquela época era costume se levar um caixão para o cemitério a pé e acompanhado pelo cortejo de amigos e familiares. Se passava uma vara comprida pelas alças de cada lado do caixão e fazia uma especie de andor que quatro ou seis homens iam carregando nos ombros.
O cortejo funebre de Dona Rosa andou bem até chegar perto das barraquinhas da estrada...
De repente o caixão começou a ficar muito pesado e os carregadores começaram a suar muito para continuar o percurso. Ia tão pesado que os homens iam tropeçando pelo caminho, e ninguem sabia explicar porque o caixão da velhinha, tão miuda, de repente parecia estar cheio de chumbo...
Com muito custo chegaram proximo ao recuado das barracas, resolveram parar para descançar e depositaram o caixão com Dona Rosa em cima da pedra.
As mulheres foram se aliviar no mato, tomaram agua e ficaram a sombra se refrescando enquanto os homens tomavam folego e uma garrafa de pinga para ajudar a seguir caminho. Quando voltaram para pegar o caixão, o peso tinha desaparecido e ele estava tão leve, como se não tivesse mais nada dentro. E assim conseguiram seguir o cortejo até o cemitério.
Dona Rosa que tantas vezes  fez aquele percurso em vida, tinha parado pela ultima vez no seu canto preferido em cima da pedra, antes de seguir sua derradeira viagem para Moira.
Há quem diga que de vez em quando se avista uma velhinha sentada na pedra fumando seu cachimbo...mas isso é mais uma lenda da cidade.